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Opinião

Eleições: promessas em campanha, esquecimentos no poder

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O que se vê, eleição após eleição, é o esvaziamento do debate sério. Propostas concretas cedem espaç
Por Rodrigo Finardi
Foto Fotis Vrotsis/Gettyimages

Ano eleitoral costuma vir embalado por discursos grandiosos, promessas de mudança e uma súbita preocupação com o cidadão comum. A pergunta que se impõe, porém, é simples, quase ingênua: o que esperar do novo presidente, dos governadores, senadores e deputados? A resposta deveria ser igualmente direta: que trabalhem para melhorar a vida da população.

Mas não é isso que a prática tem mostrado.

O que se vê, eleição após eleição, é o esvaziamento do debate sério. Propostas concretas cedem espaço à desconstrução do adversário. O plano de governo vira peça decorativa, enquanto o ataque pessoal ganha protagonismo. Em vez de discutir soluções para problemas históricos, discute-se quem errou mais, quem falou pior ou quem viralizou melhor.

Os partidos, por sua vez, parecem cada vez menos comprometidos com ideologia e cada vez mais afinados com a matemática eleitoral. Alianças improváveis são costuradas não por convergência de ideias, mas por conveniência financeira e de votos. O objetivo é claro: abocanhar uma fatia maior do fundo eleitoral, dinheiro público, bancado por uma população já sufocada por impostos.

E aqui está o ponto central que raramente ocupa o centro do debate: o brasileiro paga caro, e paga muito.

Paga impostos elevados, mas investe em segurança privada para proteger o que é seu. Paga impostos, mas precisa recorrer à escola particular para garantir educação de qualidade aos filhos. Paga impostos, mas contrata plano de saúde para fugir da demora do sistema público. Paga IPVA e, ainda assim, desembolsa pedágios para trafegar por estradas que deveriam estar minimamente mantidas.

Enquanto isso, a discussão sobre redução da carga tributária, eficiência do gasto público e revisão de privilégios segue em segundo plano. Não rende cliques, não viraliza, não gera engajamento fácil. Dá trabalho. Exige responsabilidade.

E responsabilidade, convenhamos, tem sido artigo raro em campanhas eleitorais.

O resultado é um país que patina. Que arrecada muito, entrega pouco e cobra caro. Um país onde o cidadão sustenta uma máquina pesada, mas continua tendo que pagar à parte por serviços básicos.

Se há algo que deveria nortear o debate eleitoral, não são narrativas vazias ou disputas de popularidade digital. É algo bem mais concreto. Fazer sobrar dinheiro no bolso do trabalhador. Isso, sim, é política social de verdade. Isso, sim, é dignidade.

Mas, enquanto o foco permanecer na guerra de versões e na manutenção de privilégios, o roteiro seguirá o mesmo. Promessas em campanha, esquecimentos no poder. E a conta, como sempre, ficando para o brasileiro pagar.

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