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Opinião

Entre ceder e se colocar

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Marcelo V Chinazzo
Por Marcelo V. Chinazzo – Pai do Miguel e do Gael, jornalista e escritor
Foto Marcelo V. Chinazzo

Relacionamentos, sejam eles quais forem, são complexos e assim o são, pois são feitos de seres humanos com todas as suas nuances e volta e meia, acontecem fatos que nos fazem pensar sobre o assunto. Longe de mim querer ocupar o lugar de terapeuta de casal, mas gostaria de pontuar algumas inquietações que surgiram na minha cabeça após uma conversa de final de semana e que me deixaram com vários pontos de interrogações.

Falando em terapia de casal, acredito que todo casal deveria, em algum momento, passar por essa experiência e, me incluo nisso, afinal, essa relação é construída por duas pessoas, e essas duas pessoas precisam estar em sintonia. E sintonia não significa concordar com tudo, vestir a mesma cor de roupa ou querer sempre as mesmas coisas. Sintonia vai muito além disso. Trata-se, sobretudo, de equilíbrio e, talvez, essa seja a maior dificuldade dentro de um relacionamento, encontrar o equilíbrio.

A terapia individual, por sua vez, também tem um papel fundamental e eu sou um grande defensor e incentivador dela, pois é nesse espaço que o indivíduo se volta para si, para sua história, suas dores e suas percepções. É um processo necessário de autoconhecimento. No entanto, é importante reconhecer que esse tipo de terapia naturalmente parte de um único ponto de vista, o seu e em uma relação à dois, apenas um olhar não sustenta o todo. E é nesse momento que a terapia de casal se faz mais necessária. Ela não vai substituir a individual ou ser melhor, ela vai complementar, pois enquanto uma aprofunda o olhar interno, a outra ajuda duas personalidades distintas, cada uma com suas bagagens a dividirem o mesmo espaço e a construírem uma nova vida, algumas vezes até, gerando novos CPF´s.

Tem pessoas que passam por relacionamentos abusivos grande parte da vida e, em certo momento, conseguem ter uma clareza que aquilo não é legal e é extremamente positivo quando a pessoa reconhece a situação, busca ajuda, inicia terapia, se fortalece e retoma as rédeas da própria vida. Isso é essencial, mas o grande pulo do gato aqui é entender que para sair de um mundo onde você é anulado, humilhado, mal tratado, não necessariamente você deva entrar em um mundo onde você seja o anulador, o que humilha e o que mal trata. Sair de um lugar onde você era desrespeitado não deve significar assumir o papel de quem desrespeita. Trocar uma relação 8 para uma relação 80, onde você sai do posto de vítima, para o posto de agressor, não é um processo evolutivo, bem pelo contrário. Casos assim são apenas inversões de papéis e, se isso acontece com você, desculpa, mas você não entendeu nada sobre o processo de terapia ou o seu psicólogo é muito ruim e precisa rasgar o diploma.

Relações saudáveis não são feitas de disputas de ego e sim de uma construção conjunta, sendo uma eterna constância entre ceder e se colocar, afinal ela se faz com duas pessoas, portanto estar em um relacionamento exige um exercício constante de equilíbrio, pois é preciso preservar a própria individualidade sem se anular, mas também respeitar o espaço do outro sem anulá-lo para se impor.

No fim das contas, voltamos ao mesmo ponto, o perigo dos extremos, que continua sendo um dos maiores problemas em qualquer tipo de relação ou conduta. E se não adquirirmos a capacidade de ponderar, de buscar o meio-termo, a tendência é repetir ciclos, apenas mudando de posição dentro deles e aí, sinto muito, a única alternativa é começar do zero. Não o relacionamento, ou outro, ou outro. O que precisa começar do zero é a humanidade como um todo.

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